Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas
mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.

Manoel de Barros

sexta-feira, 12 de março de 2010

A vila de Caeté-Açu













A vila de Caeté-Açu no Vale do Capão surgiu com a descoberta das jazidas de diamante da Chapada Diamantina e cresceu à sombra do desenvolvimento da mineração. O lugarejo, formado, na sua maioria, por famílias de mineradores, segundo contam alguns moradores, já foi a casa de mais de 200 garimpeiros, apesar de não haver o garimpo dentro do vale.
O Capão sempre foi fornecedor de alimentos para os centros maiores. Durante muitos anos, o vale foi tomado, em quase a sua totalidade, por fazendas de café que era beneficiado com a ajuda das rodas dágua implantadas num rio, que, a partir daí, passou a ser chamado de Rio das Rodas. Além do café, outros produtos do vale eram a uva e o marmelo. O povo recolhia uma cera que se tira de árvores e servia para fazer discos de vitrola.
A queda do garimpo e a erradicação dos cafezais foi terrível para a região. Posteriormente, o Vale virou refúgio de pessoas provenientes de todos os lugares do Brasil, que por ali passaram e se encantaram com a beleza e energia do lugar, além de um dos locais turísticos mais visitados da Chapada Diamantina.
O Vale do capão abriga a Vila de Caeté-Açu, distrito de Palmeiras. Sua história está intimamente ligada a esse Município, que tem grande influência na região, não só política, mas também cultural e econômica, por ser ponte de ligação entre o Vale e os grandes centros.
Nos anos de 1815 a 1819, um poderoso senhor de terras e escravos da época das províncias, o Sargento-mor Francisco José da Rocha Medrado, formou uma grande fazenda de café que foi batizada de Fazenda Palmeiras. Naquela época, a fazenda se resumia a uma estrada que dava acesso à Lençóis, onde moravam poucos trabalhadores que se dedicavam à lavoura.
Com a descoberta e crescimento do garimpo de diamantes na região, a Fazenda Palmeiras foi crescendo e se transformando num arraial com casas simples, de enchimento sem reboco e cobertas com palha e cavacos. Quando se descobriu as jazidas em Lençóis, os garimpeiros foram se espalhando pela região em busca de diamantes e carbonatos, fazendo surgir diversos povoados, inclusive em Palmeiras, como é o caso dos povoados de Lavrinha, Serra Negra, Tijuco e Lajedinho. Em 1864, o lugarejo, conhecido como Arraial das Palmeiras, já atraía e acolhia garimpeiros das Lavras de Lençóis e Andaraí.
Em 23 de dezembro de 1890, Palmeiras é elevada à categoria de vila. Com o território separado de Lençóis, em 15 de janeiro de 1891, inaugura-se o novo município: Vila Bela de Palmeiras.
Palmeiras se tornou, a partir desse momento, um centro que atraíam famílias tradicionais de Minas Gerais, de outros locais da Bahia, franceses, como é o caso da família Cathalat, e descendentes de portugueses das famílias Menezes e Pina. Até meado de século XIX, os donos de terras e escravos, a exemplo dos milionários Benedito Chagas e Major Cândido José da Silva Leão, exerciam imenso poder da região, sobre tudo e todos, de modo que nada era feito sem os seus consentimentos.
Com a chegada dessas famílias, que construíram imensos casarões existentes até hoje, formando a beleza arquitetônica do estilo barroco de Palmeiras, também introduziram seus costumes, tradições, crenças e linguagens, que foram sendo incorporados à cultura local, provocando uma mudança considerável.
No auge da mineração, o cotidiano da cidade era iluminado pelo luxo e riqueza que ostentavam os moradores. A moda européia vestia a alta sociedade e o uso de gravatas era obrigatório para todos, independente da ocasião.
A vida noturna era bem movimentada, com cinema mudo ao ar livre, bales na prefeitura e nas residências mais luxuosas, forrós e as animadas festas nos botequins.
Em 13 de dezembro de 1930, a Vila de Palmeiras chega à condição de cidade, tendo nome simplificado para Palmeiras.
O declino da mineração, entre 1951 e 1952, com a ascensão da produção de cristal, provocou um êxodo em massa para o Estado de São Paulo.
A economia do Vale do Capão, a partir daí, também entrou em declínio por não ter mais a mineração como suporte.
No final da década de 70 e início da de 80, o Vale se tornou um ponto de encontro de pessoas alternativas proveniente de vários estados do Brasil e também do exterior.

informação retirada do site: http://www.ferias.tur.br/informacoes/460/caete-acu-ba.html

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